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I can touch the sky...

Wednesday, February 22, 2006
“Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer que estou indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto quem sabe
Mas eu quero esquecê-la
Eu preciso...”
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Faltou o tempo, perdeu a graça. Correram as palavras, esconderam-se debaixo de algum sofá velho perdido por aí. E como diria o mestre “sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.”
Chegou.
E eu decidi limpar meus arquivos, apagar minhas memórias, brincar de “Eternal Sunshine of The Spotless Mind”, porque tudo isso aqui já passou da hora de parar de doer. Nesse blog eu fiz nascer e morrer histórias de uma vida que de fato começou a existir tarde demais. Não consigo lembrar do antes, tudo começou post scriptum. Eu, ela, nossos sonhos de ser grande e perfeita, quase uma Barbie rodeada de Kens e Patys, todos legais, sorridentes e perfeitos como nós. Mas aí a gente cresceu e doeu pra caramba ver nossos sonhos perfeitos descer ralo abaixo diante da cruel realidade. Não, antes que vocês digam, eu não me tornei amarga. Eu só não consigo mais sonhar cor-de-rosa e fazer força pra escrever bonito. E esse blog já estava maior que eu.
Acabou.
Remexer nesses arquivos me traz à memória histórias que vão virar eternidade no meu livro que começa a nascer. Estou me sentindo quase grávida, como se algo grande começasse a se desenvolver dentro de mim, um pouco a cada dia, uma unha, um fio de cabelo, um emaranhado de coisas que juntas contam uma história. A história da minha vida.
Prometo voltar por aqui pra falar sobre o meu filho. Quando, como, qual será o nome. Porque se for mesmo verdade que o céu é o limite, já posso sentí-lo entre meus dedos.
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Monday, February 06, 2006
“A vida é às vezes muito avara: a pessoa passa dias, semanas, meses e anos sem sentir nada de novo. Entretanto, uma vez que abre uma porta, uma verdadeira avalanche entra pelo espaço aberto. Em um momento você não tem nada, no momento seguinte tem mais do que consegue aceitar.”
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Paulo Coelho – Onze Minutos
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Tuesday, January 31, 2006
“Poucas vezes na minha vida confessei amar alguém. Essas três letrinhas que juntas fazem tudo mudar sempre foram difíceis de sair da minha boca. Talvez porque pra mim, dizer que amar alguém seja mais do que determinar o tamanho de um sentimento, mas deixar claro que ele é maior do que qualquer coisa que eu possa sentir. Pra mim, tem que ser sincero, tem que soar real, tem que sair do coração, tem que lacrimejar quando sair pela boca, tem que doer lá dentro do peito de tanta vontade tomando forma de palavra.
(...)

Eu quero tudo com você, se assim você também quiser. Sei que às vezes eu pareço estar longe, mas eu sempre fui assim, isso é um jeito meu. Eu sinto sozinha, escrevo, canto, falo com as paredes, mas tenho problemas em confessar, o que não quer dizer que eu não sinta. Mal sei como escrevi isso aqui. E vou apertar no send agora antes de ler, só pra que você entenda que sim, eu amo você, e que quero você pra ser meu. Seja por um dia, um fim de semana, um mês ou pela vida inteira. Mas que seja meu.”
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Friday, January 27, 2006
"Meu dia.
Dia de acordar com o telefone tocando, de me arrumar mais que o habitual e acordar cedo sem a ajuda do despertador. Dia de encher o rosto de sorrisos, de acreditar que agora sim o ano começou e que tudo vai mudar. Pra melhor, claro. Dia de olhar tudo de cima, de sentir prazer no ventinho no rosto no caminho pro trabalho, de cansar de agradecer por todos os que passaram pra dizer um simples ‘parabéns’. Dia de surpresas, músicas, presentes, mensagens e cartões cheios de afeto, trazendo a sensação de que sou amada por muitos. (...)"
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Feliz aniversário pra mim.
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Thursday, January 19, 2006
Wednesday, January 11, 2006
Diálogo de uma perna só

Ei. Vem cá. Chega perto. Senta aqui do meu lado. Eu só queria que você me enxergasse. Pega na minha mão. Percebe como ela está fria? É, eu sou uma boba. Qual das muitas de mim você quer conhecer? A loira bronzeada das tiradas surpreendentes? A moça sisuda escondida atrás dos óculos escuros? A bem resolvida com os cabelos presos em um coque, sentada em posição de yoga em frente ao computador? Ou a despenteada vestida com a camisola de gatinhos tentando escrever bonito no seu caderno colorido? Fala. Eu posso ser outra se você quiser. Eu me adapto facilmente às situações, sabia? Confesso que muitas vezes senti medo de mim mesma. Ah. Pára de me olhar assim. Te assustei, não foi? Eu sabia, sempre assusto todo mundo. Talvez porque eu seja demais. Ó. Esquece. Deve ser efeito do álcool. Mas eu nem bebi nada! Deve ser efeito de mim, mesmo. Você ainda tá aí? Ficou tão calado de repente. Ainda posso ouvir sua respiração, longe demais da minha nuca, longe demais pra eu sentir. Eu só queria querer algo, sabe? Você, ele, aquele cara de amarelo. Mas é tudo falho e repetitivo. Fazer o quê? É a vida. E a Adriana fala toda noite no meu ouvido que o ‘destino sempre me quis só’. Ela. A Calcanhoto. Conhece? Meio dor de cotovelo, né? Eu sei... minha cara. (...) Tenho que ir. Monólogos me dão sono, ainda mais quando o ator principal sou eu. Vou nessa. Você me liga? Ok. Ok. Nada de números. Nada de depois. Conheço bem esse tipo de coisa. Vamos combinar assim: da próxima vez eu te deixo falar. Desde que você não me faça tantas perguntas. Combinado!?
Friday, December 30, 2005
Encontros e Desencontros

O tempo é implacável.
Ele corre e não perdoa, arrasta o que vê pelo caminho, e na sua pressa acaba deixando uma infinidade de coisas pra trás. Essas coisas perdidas pelo tempo apenas ficam guardadas na memória, em alguma gaveta de difícil acesso, até porque os detalhes também se perdem pelo caminho. Os traços do rosto de alguém, uma conversa importante, uma frase dita no meio do nada fazendo todo o sentido do mundo naquele momento. Mas o tempo passa e tudo isso perde a importância, o brilho, a cor.
Assim foi 2005 pra mim. Um ano de coisas deixadas pelo caminho. Mais sorrisos que lágrimas, mais ganhos que perdas, mais conquistas que despedidas. Um ano que começou cheio de promessas de felicidade, mas que me deu algumas rasteiras, nada que impedisse de me reerguer. Um ano que levou coisas e pessoas importantes num dado momento e que até a saudade ele se encarregou de abafar. E já que é pra falar em saudade, acho que depois de tanto querer, até que enfim consegui descobrir o real sentido dela em minha vida, porque esse foi o ano em que ela reinou absoluta. Dele que se foi naquela despedida sem graça por causa de tanta mágoa que o coração carregava. Dela que não conseguiu segurar a vida que lhe saía pela boca naquela manhã onde só as lágrimas conseguiam explicar meu sentimento. Dos novos nomes que enfim ganharam rosto, mas que como tudo que é realmente bom na minha vida estão longe demais pra eu abraçar cada vez que tiver vontade.
O tempo tem o invejado poder da mutação. Seja do rosto que ganhou algumas rugas, seja da pele que perdeu um pouco do viço, seja do coração que engordou com novas caras, que se enriqueceu com novos sentimentos. Quem leu em 2004 aquele meu discurso de ‘Sandy nunca mais’ acompanha hoje uma nova fase da minha vida, fase essa que abandonou o que era bobo e deu lugar ao que realmente importa. Experimentei o que chamam de maturidade e mudei. Mudei tanto que muitos não me reconheceram e me chamaram de volta ao meu mundinho dos sonhos de infância, dos príncipes encantados, do amor cor-de-rosa que tanto já mudou de cor diante dos meus olhos. Mas existem sim, coisas que não se podem mudar, e eu era uma dessas coisas. Não dava pra voltar atrás. Descobri o prazer de ficar em casa sábado à noite lendo um livro, ouvindo músicas, desvendando pedaços de mim, descobrindo quem eu era de verdade. Mudei, sim, mas não abandonei velhos amigos, minhas risadas escandalosas, antigos prazeres. Apenas aprendi a importância da palavra escolha. O natal passou e Papai Noel não bateu na minha janela, apesar de eu ter sido uma boa menina. Talvez eu não tenha sido tão boa assim, mas a verdade é que uma infinidade de desejos continuam pendentes. Mas como eu não acredito mais em Papai Noel, príncipe encantado e todas essas coisas bobas que fazem parte da nossa infância, eu só queria pedir pra Deus que em 2006 só fique o que tiver que ser meu. E que o resto fique guardadinho na caixinha das memórias, esperando o momento certo pra irem embora nos braços do nosso amigo tempo.
Tuesday, December 27, 2005
Vinte e poucos anos, alguns metros cúbicos de lágrimas a menos e cá estou eu, de novo, tentando fazer a coisa certa dessa vez. As histórias se repetem. Os perfis, os gostos similares à primeira vista, a risada exagerada diante de qualquer bobagem. Apenas eu, brincando de ser outra pessoa sem nem se quer ao menos me dar conta disso.
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Vou dormir com as luzes acesas para tentar enxergar minha alma.
Wednesday, December 14, 2005
E eu durmo pensando nele todo dia e lembro do seu narizinho perfeito e de como ele parece com a minha tia quando ri. Sei lá, algo de familiar de cara e à primeira vista. Porque antes dele eu bati o martelo e duvidei que ainda existissem homens de verdade nesse mundo e agora eu olho boba pra carinha dele photoshopeada e vejo que graças aos céus eu estava errada. Porque quando ele me abraça eu sinto o corpo desfalecer e desejo por um segundo que o mundo acabe ali, pra desejar no instante seguinte que não, que o mundo continue e seja meu, e seja nosso. Porque quando ele me olha cheio de afeto e carinho estampado em cada brilho dos seus olhos eu tenho certeza de que Deus existe e que está mais perto do que a gente imagina. E hoje eu sou boba e feliz simplesmente porque ele existe, ainda que pra ele eu não seja nem metade disso tudo aqui.
Acho que eu mereço acreditar que existem outros dele espalhados por aí, certo!?
Wednesday, December 07, 2005


Saudade do meu Peter, da minha louca, do Preto dela. Saudade do meu Toca, da minha Preta, da morena dos meus olhos. Saudade do meu Lovely, do meu Honey, do Bobinho que me deixou sentada na beira do caminho, esperando. Saudade do Poetinha, da sua cara-metade, da praia, do futuro. Saudade de quem eu fui, de quem eu era, de quem eu quis ser um dia. Saudade dos meus sonhos perdidos no ar dia após dia, do corsa azul, do renault branco. Saudade da risada garantida, do toque antigo do meu celular, do picolé de castanha da minha mãe, do tempo em que eu era feliz e não sabia. Saudade de quem eu não conheço, mas sinto. Meu Gil, minha Li, minha pra sempre Catá. Saudade de alguns 4 dias, das novas caras já esquecidas, do meu Ju, da minha Branca de Neve. Saudade de um bom motivo pra chorar ou de algum outro que faça rir até doer. Saudade sei lá do quê, saudade mesmo só de você.
Friday, November 25, 2005
Desejo falar de uma coisa. Uma simples coisa: a arte de amar bonito. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Não teorize sobre o amor. Deixe isso para nós românticos, incuráveis românticos, que vemos a vida como uma criança de nariz encostado na vitrine do shopping center cheia de brinquedos dos nossos sonhos. Não teorize sobre o amor. Ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.
Calma! Não tema o romantismo. Derrube os muros da opinião alheia. Faça coroas de rosas, orquídeas, cravos e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando ou assobiando uma canção especial. Que tal uma música, de preferência romântica?
Recomendam-se: encabulamentos, ser pega em flagrante; não se cansar de olhar; não atrapalhar a convivência com teorias; adiar sempre se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama, toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando o que deixou de ter.
Não tenha medo exatamente de tudo que você teme, como por exemplo: a sinceridade, não vai dar certo, depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito), abrir o coração, contar a verdade do tamanho do amor que sente. Jogue para o alto as jogadas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes. Não é sábio ser sabido.
Seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado (todas manhãs), uma canção que fale de amor. Falando besteiras, mas criando, agindo, sempre. Gaguejando, sentindo o coração bater como no tempo de adolescência. E haja expectativa...
Revivendo os carinhos que lhe cercaram quando criança. Sem medo de dizer eu desejo, eu gosto, eu estou com vontade. Nunca diga eu quero. Querer é verbo de imposição. Desejar é mais gostoso, proibido...
Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou amar, ou amar fazendo o seu amor bonito. Ufa! A ordem das frases não altera o produto. Que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo que você é, e nunca: deixaram, conseguiu, soube, pode, foi possível, ser.
Se o amor existe, seu conteúdo já é um manifesto, uma expressão. Não se preocupe com ele e suas definições. Cuide agora da forma, da voz, da fala. Cuide do carinho, cuide de você. Ame-se suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar a fazer o outro feliz.
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A Arte de Amar Bonito – Chico Carlos
Thursday, November 17, 2005
No coração fiz um A

Ele me fazia rir cada vez que abria a boca. É o cara das teorias, do concatenamento das informações, da risada escancarada, da timidez estampada cada vez que desviava o olhar. Ele é o menino das unhas ruídas, do brilhante na orelha, da clave tatuada mostrando o que ele gosta de verdade. É o menino dos beijos pedidos, do sorvete de pneu, ladrão de cigarros e isqueiros e degustador oficial de sushis e afins. É o cara das apostas, do sotaque mais cantado de todos, da fala apressada, das gírias pra lá de engraçadas.
Ele é simples.
Ele é macho.
Ele é o filhinho da mamãe.
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Ela gosta de sushi e de torrar no sol. De preferência, só a parte da frente. É a menina do olhar escondido atrás da franja que cai sorrateira, dando-lhe um ar de mistério. Ela dança jogando os pezinhos pra trás, diz que todas as músicas são dela e ri como uma louca depois do quarto ou quinto Bells com guaraná. Faz bico por coisas bobas, anda seminua pelo quarto, aperta o buchinho de cerveja e te leva de volta pro jardim de infância. Com ela dividi o sabor do sorvete, a semelhança da senha do banco, as vestes, as fotos, a cama, a vida por 96 horas.
Ela é linda.
Ela é leve.
Ela é solta.
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Ele me chama de Nêga. É o ‘Branco de Neve’ do conto de fadas que escrevemos a oito mãos por esses dias. Ele sempre diz que ‘tá tudo bem, tá tudo normal’ e é o cara que dita os procedimentos pra todas as coisas. Ele abre a porta do carro, te dá a frente pelos caminhos, te abraça no meio do nada e fala da vida com o cuidado de quem não sabe o que é arrepender-se. Ele é o menino criado e muito bem criado debaixo do balaio, educado, gentil e que não sabe dizer não. Ele é doce como um sorvete de doce de leite, mas franze a testa e mostra que sabe o que quer diante de qualquer ameaça.
Ele é gente.
Ele é raro.
Ele é o genro que Dona Beta pediu a Deus.
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E como tudo que é bom na minha vida não dura mais que 4 dias, volto pra casa com um punhado de lembranças, novos nomes pra decorar, um sotaque cantando no meu ouvido, um gosto perdido na boca, um álbum de fotos e um cheiro de revival aliviando uma saudade triste de quem tem medo de que tudo tenha acabado naquele abraço.
Anyway. Foi bom enquanto durou, mas quem disse que acabou?
Friday, November 11, 2005
"Ontem não importa mais. Viva o hoje. Pegue seu amor hoje entre as mãos, aperte e sinta que aquilo tudo é um pedaço de felicidade que Deus está te concedendo agora. Amanhã não interessa se ele vai ser sacana como todos os outros e vai te deixar. Pra saber disso, você vai ter que viver. E viver dói, minha amiga, quem bate no peito e diz que nunca sofreu não sabe o que é a vida. É apenas mais um medíocre que anda de meias pela casa com medo de machucar os pés. E eu não sou medíocre. Você é?"
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Há um ano, nesse blog.
Thursday, November 03, 2005
Dentro da Gaveta

Não é sempre. Só nos sábados à noite, tardes de domingo ou na volta pra casa num dia chuvoso. Só na fila do cinema, no passeio ao ar livre, nas madrugadas frias em que os bichinhos de pelúcia não surtam o mesmo efeito. Só quando um ponteiro do relógio é flagrado sobre o outro, quando um casalzinho feliz surge pelo caminho, quando o tempo insiste em rastejar enquanto o que eu mais quero é que ele voe.
Eu nasci sozinha. Cresci rápido e aprendi cedo que o coração não pulsa diante do nada. Se não é de amor, é de dor. Para os dois casos o sofrimento é inevitável ainda que em pequenas porções. Não se pode ignorar esse pulsar porque ele te busca e te acha onde quer que você esteja. Ele te acha despenteada na fila do banco, atrapalhada com um cálculo na banca da escola, entre um cochilo e outro no caminho pro trabalho. Em alguns casos cada vez mais comuns, ele pode te achar confortavelmente sentada diante de um computador que tanto sabe da sua vida. E aí esse pulsar se instala e se manifesta em cada chamada não esperada, cada clichê dito, em cada tom de voz ligeiramente enternecido quando tudo parece tão próximo. Só que ler e ouvir é pouco pro tanto que cresce aí dentro e você quer mais. Você quer ver, tocar, identificar o perfume entre outros corpos. Você quer fazer história, quer ter uma data pra comemorar, alguns momentos pra lembrar na hora em que a dura realidade bater a porta novamente.
É uma falta, uma ausência que dói diferente de tudo que já doeu antes. É uma necessidade absurda de tocar o que está longe do alcance. É quase como um enxame de abelhas fazendo colméia no seu estômago; dói, mas tem um doce melhor que qualquer outra coisa.E eu que gosto de dar nome aos bois, que preciso saber o que sinto, o que penso, o que quero e pra onde vou, me vejo algemada no pé da cama esperando alguém entrar pela porta e me explicar que maldito sentir é esse que me rouba de mim. Tá tudo muito aqui, o cheiro, o gosto, o toque, o peso do corpo. Tá tudo muito dentro e nem à fórceps dá pra arrancar. Mas agora eu quero replay. Quero de novo, mais e novamente, assim redundante mesmo. Quero fazer as loucuras que prometi, olhar sem pressa cada detalhe do seu rosto, tocar com calma e com gosto preso na boca cada curva do seu corpo. Quero ouvir todas as palavras, comer todas as pizzas, andar por todos os caminhos. Eu ainda quero tanto. E hoje a mim, só importa que você ainda queira.
Esse foi de dentro da gaveta mesmo... =)
Wednesday, October 26, 2005
“nem medo nem calor nem fome já não dá mais pra chorar nem pra rir”

eu senti tantos medos pari tantas dores desperdicei tantos sonhos amarguei tantas despedidas solucei tantas lágrimas repaginei tantas histórias revivi tantas pessoas reli tantas cartas que escrevi um dia só pra perceber que nada muda nesse mundo de meu Deus as coisas simplesmente vão e vão e fazem a gente mudar afinal as histórias são sempre as mesmas os finais são sempre os infelizes os felizes são pras estórias bobas que alguém nos contou certo dia antes de dormir e antes que o fôlego me fuja eu preciso roubar aquele pedaço de ar que descansa refestelado no seu pulmão não quero mais nada seu nem o ar que te entra sem pedir licença nem esse mesmo ar que você desperdiça depois que usa a seu bel prazer já percebeu como tudo nessa vida é pra ser usado e jogado fora confesso que me assustei quando notei isso toda a comida todo o tempo todo o sol todo o choro todas as conversas todos os abraços todos os beijos e todas as fodas também tudo serve somente pra satisfazer uma vontade um desejo um momento uma necessidade e tudo se esvai ralo a baixo antes que a gente tente salvar porque nem dá vontade de salvar mesmo só se for pra deixar esquecido num canto qualquer do porão da nossa casa que é a nossa vida acho que ela já é tão cheia de entulhos que os ares os gostos os cheiros as fotos as nossas várias faces e as alheias também tem mais é que se perder pelo caminho e agora quando olho pra trás e te vejo seguindo por outra direção que não é a minha eu quero correr eu quero gritar o seu nome eu quero sentar no chão e te puxar pelo braço com o peso do meu corpo mas o seu braço já está ocupado com outro peso que não o meu e dói sabe dói demais passar minhas noites ainda querendo tanto alguém que nada mais é do que palavra do que voz do que cheiro azedo do que anda guardado por toda uma vida do que lembrança pouca que já se foi mas esse foi me custa a ser real e eu que nunca amei nem a você nem a ninguém me vejo tentando conceituar o que já se passou por aqui pelo meu peito e sei lá se me interessa saber se foi paixão se foi desejo se foi amizade multicor se foi vontade se foi somente o prazer do sexo realmente bom sei lá que porra foi isso que eu senti com você que eu senti com seus homônimos que eu senti com tantos parônimos e com alguns anônimos que me apareceram pela frente e que não me taparam a boca antes que eu pudesse pensar se sim ou se não e foi sim sempre sim sempre aqui sem falsos pudores sem falsas histórias de pra sempre sem amanhãs sem números pra decorar sem nomes pra lembrar sem nada pra fazer sentido era só eu e o que você queria era só você e o que você queria mas aí as luzes se acenderam você viu meu rosto limpo todas as marcas que a vida me fez e teve medo de mim teve medo que eu te machucasse teve medo de me fazer ainda mais marcas você largou minha mão pulou e me deixou sozinha tentando respirar e como eu sei que tudo vai e vem sem que eu precise fazer qualquer esforço eu vou ali me embriagar de qualquer coisa enquanto você pensa enquanto você vive enquanto você trepa com minhas homônimas enquanto você aperta minhas lembranças entre os dedos e me joga no lixo do banheiro eu vou ficando por aqui procurando um outro alguém que me aperte com mais força que me ame com mais vontade que me queira com mais gosto que me foda com mais desejo que me machuque se tiver que me machucar e que não diga que sempre vai me amar porque de amor nada sei e pouco me importa saber o que quer que seja.
Friday, October 21, 2005
# Tempo, razão e coração #

Muitas vezes paro pra observar a vida e dou de cara com algo óbvio: uma atitude muda tudo. É impressionante como coisas acontecem quando a gente deixa certos medos de lado e age com o coração. Eu sempre fui da razão, quem me conhece bem sabe, e se pudesse voltar atrás talvez não tivesse perdido tantas coisas como já perdi na vida, sempre em nome do que eu pensava e nunca do que eu sentia. Era tudo muito sobreposto, sabe? Pensar e sentir estão intrinsecamente relacionados, mas costumamos separar as duas coisas e deixar o sofrimento tomar conta do que deveria ser belo. Mas o bom é que a vida é um círculo e a gente está constantemente girando em torno dela. Algumas vezes aventuramos saltar bem no meio e podemos nos machucar. Daí ela nos cospe de volta pras bordas pra curar nossas feridas até estarmos prontos pra saltar novamente. É o ciclo natural da vida. Tentamos pular etapas, atropelamos tantas fases e mal nos damos conta que está tudo cuidadosamente escrito desde o dia em que nascemos e nada pode impedir o que está pra ser. Como seria explicado os amores impossíveis que se tornam possíveis depois de manobras do destino? Como entender a genial capacidade do tempo em resgatar coisas perdidas, em trazer à tona a realidade dos fatos? Como explicar idéias martelando na cabeça como pingos d'água para que sejam colocadas em prática e fazendo todo o sentido depois de executadas? Coisas da vida.
Hoje eu estou assim, filosófica mesmo. Depois dos últimos acontecimentos, pude perceber muitas coisas. Percebi que tudo é mutável, que as pessoas fogem quando tem medo do que sentem, que as pessoas sentem mais do que falam e que nada como o tempo para colocar as coisas nos seus devidos lugares. O mundo dá muitas voltas e eu não sei o que virá. Só sei que estou certa de que devo ouvir mais meu coração, porque ele tem mais razão do eu posso imaginar.
Monday, October 17, 2005
A Última

Dia desses, vindo pro trabalho, escutei Maurício Manieri no som e foi inevitável não lembrar de você. Sorri lembrando da sua assustadora revelação que causou pelo menos uns bons minutos de risadas. Senti saudades, confesso. Saudades desse pouco mais de um ano em que nos falávamos todos os dias, das nossas risadas intermináveis, das novidades do fim de semana e até mesmo das suas ligações rapidinhas só pra me contar o novo apelido de alguma pessoa em comum. Lembrei dos planos de feriado prolongado, das longas conversas pelo chat, das ligações fora de hora ‘só pra saber se estava tudo bem’. E aí eu lembrei da sua fraqueza com vinhos e afins, do ronco negado no dia seguinte, de como eu me sentia segura quando tinha você por perto. Lembrei das longas horas de carro pra me satisfazer uma vontade, das paradas pelo caminho, da noite estrelada, do seu cansaço. Lembrei das nossas confusões, da nossa cumplicidade, das similaridades e também das divergências. Lembrei da sua mania de acenar para desconhecidos na estrada, da sua cara abusada quando o som era o meu, da sua mão pesando sobre a minha perna quase full time. Lembrei da goiabinha com coca-cola, do Milk and Mellow, do Ibirapuera, do Jardim Botânico. Lembrei de você na porta do hotel me suspendendo pelas costas num golpe inacabado, me trazendo a nítida impressão de que sim, a gente era um só. Lembrei do meu anel que ficou por aí, do seu gorro que ficou por aqui, de um álbum de fotos em comum, de muitas horas longe e algumas poucas perto. Lembrei de algumas surpresas, decepções e de uma mágoa. Mas dessa eu já fiz questão de esquecer.
Você é um cara que se precisa desvendar a cada dia. Descobrir o que você realmente esconde por trás das suas gírias atropeladas e do seu jeito moleque de ser, não é tarefa fácil. Essa sua sede de fazer tudo que quer, conhecer todas as pessoas, comer todas as coisas boas, surfar todas as ondas, tocar todas as músicas, viver todos os minutos como se fossem os últimos, fazem de você um cara único. Com você eu aprendi o sentido da palavra intensidade. Você e seu eterno bom humor, sua penca de amigos, seu ânimo pra topar qualquer loucura a qualquer hora. Você e suas tiradas surpreendentes, seu raciocínio rápido, sua capacidade de desconcertar qualquer pessoa se realmente quiser fazê-lo. Você e sua atenção com quem te interessa, sua ironia com quem te irrita, sua indiferença com quem não te importa. Você e seu açaí no fim do domingo, seu quik de manhã, seu cachorro-quente com purê a qualquer hora. Você e seu culto ao corpo, seu pouco caso com a saúde, sua persuasão pra convencer qualquer pessoa de qualquer coisa. Você e o feijão irado da sua tia, sua mania de suco de limão, seu sabonete de limão demarcando seu cheiro onde quer que eu vá. Você e sua teimosia, seu orgulho, seu radicalismo, sua tendência a deixar as coisas se resolverem por si sós, seus sempre adiados planos pro futuro. Você e seu presente olhando pra frente, nunca pra trás, como você mesmo já me disse. Você e seu som perturbador, seu batuque no volante, sua vaidade escondida a sete chaves, seu skate de madrugada numa ladeira qualquer, seus olhos de bom menino a espera do que virá. Você e tudo de bom que ainda tem pela frente, se depender da minha torcida e de mais meia dúzia de fãs que você deve ter espalhadas por aí.
E como eu sei que cartas não mudam nada, não estou aqui com a intenção de alterar o que quer que seja. Porque embora as surpresas da vida tenham nos afastado e hoje sejamos apenas ‘bons amigos de conversas monossílabas’, acho que ainda tenho a liberdade de te desejar tudo de bom que a vida possa oferecer. E que a Terra do Nunca seja o limite, porque eu descobri no meio desse monte de coisas que você, no fundo no fundo, esconde por trás dessa cara de mau e dos músculos cuidadosamente esculpidos, apenas um Peter Pan tentando ser criança pra sempre.
Feliz aniversário.
Friday, October 14, 2005
"É, pode ser que a maré não vire
Pode ser do vento vir contra o cais
E se já não sinto os teus sinais
Pode ser da vida acostumar."
Dois Barcos - Los Hermanos
Thursday, October 06, 2005
Por que não eu?

“Desculpe estou um pouco atrasada, mas espero que ainda dê tempo de dizer que andei errada e eu entendo as suas queixas tão justificáveis e a falta que eu fiz nessa semana, coisas que pareceriam óbvias até pra uma criança. Por onde andei, enquanto você me procurava?”

Nando Reis



Alguém me disse certa vez que depois que inventaram desculpas, todo mundo acha que pode viver errando. Eu não acredito nisso. Acho que pedir desculpas só é suficiente quando o erro não se repete mais. Pedir desculpas é se redimir, é baixar a cabeça e admitir que andou fazendo (pensando) o que não era certo. E por isso eu não quero pedir desculpas, porque sei que elas vão soar no seu ouvido como um filme de sessão da tarde: Repetitivo, você já sabe o final. Eu escrevo uma cartinha colorida, passo uma tarde na sua casa, choro no seu ombro, depois a gente ri, se abraça e fica tudo bem por um certo tempo. Mas aí as coisas voltam a ser como eram antes algumas semanas depois. Ok, eu também já vi esse filme e não quero convidá-la pra assistir novamente.
Ontem cheguei cedo em casa, deitei na cama e fiquei olhando pras minhas estrelas de plástico. Há bem pouco tempo atrás elas não estavam ali me fazendo companhia e eu percebi quanta coisa mudou nesses últimos tempos. Andei fazendo trocas inconscientes e quando percebi já havia afastado de mim um sem número de hábitos, coisas e pessoas. Hoje meu telefone não toca mais insistentemente nos finais de semana, meu celular muitas vezes passa o dia desligado, minha caixa de e-mails nunca está lotada e eu tenho produzido mais no trabalho. Tenho bem mais amizades virtuais que reais, troquei as baladas alternativas por finais de semana em casa, as conversas jogadas fora por um livro, um filme ou um CD novo, os problemas de outrora pela calmaria da minha paz. Sim, a minha paz. Eu estou bem comigo mesma, estou dando valor a coisas que eu simplesmente ignorava. Tracei minha vida, determinei horários, trabalho quando devo, converso quando quero, escrevo quando preciso. Hoje tenho liberdade de sair do trabalho e ir bater perna por aí se estiver com vontade, de andar sozinha pelas ruas e entrar em lojas baratas pra comprar bobagens, comer pastel de carne no Habbib’s até doer, tomar um ônibus diferente pra ir pra casa. Fazer o que eu quero fazer. Os problemas ainda estão lá, é verdade, mas eles agora só me perturbam nos malditos dias de TPM ou quando algum fator externo me faz lembrá-los, coisas que eu não posso controlar. No início foi complicado, eu achei que estava deprimida novamente. Não tinha vontade de sair ou ver ninguém, passava dias inteiros enfiada no quarto lendo, cantando ou simplesmente dormindo e vinha trabalhar na segunda feira com a sensação de que não tinha feito nada que se aproveitasse de verdade. Os telefones tocavam e eu ignorava. Os convites vinham e eu inventava uma desculpa qualquer. Uma preguiça de viver que me machucava mais do que me fazia bem. As cobranças começaram. Quem realmente se importava me cobrou presença. Um outro tanto simplesmente sumiu após algumas negativas minhas. E foi aí que eu precisei de alguém pra ouvir um texto novo que eu havia escrito, pra ir pro cinema comigo ver aquele filme que havia estreado, pra falar das coisas do mundo que pareciam mortas pra mim. Mas eu não movi um músculo. Não fiz qualquer movimento pra mudar isso. Continuei lendo sozinha em voz alta os meus textos novos, ou algum interessante que eu encontrava na net, deixando os cinemas de lado, matando ainda mais as coisas do mundo. E o mais engraçado disso tudo é que eu me sentia bem. Eu não sentia falta. O que eu mais queria era ir pra casa no final do dia e assistir a novela das sete e depois ir dormir cedo com o discman repetindo o mesmo CD. Eu me acostumei ao que antes me incomodava e fiz disso a minha nova vida.
Eu mudei, minha amiga. Mudei mais rápido do que pude perceber e eu não escolhi isso. Não foi algo que eu decidi, tipo, acordei hoje e agora quero ser assim. Não. Aconteceu. Quando me dei conta muitas de minhas mudanças já tinham ocorrido de forma irreversível. Afastei você e outras tantas pessoas que importavam pra mim da minha vida e não deixei que ninguém mais entrasse nela e eu nem se quer percebi isso. Claro que as mais insistentes ainda estão por aqui e a elas eu devo muito. Afinal, elas aceitaram todos as minhas recusas, brigaram comigo diversas vezes, bateram o telefone na minha cara ou deixaram mensagens grosseiras na minha caixa postal, mas nunca deixaram de me procurar quando sentiram a minha falta. Elas aceitaram as minhas crises e a minha nova realidade a duras penas, no meio de conversas sem argumentos e muitas lágrimas pra preencher o que eu não conseguia explicar. Elas foram na minha casa, me arrastaram pelo braço e me mostraram que ainda existia vida lá fora, além do meu mundinho pessoal. E eu não quero e nem posso cobrar isso de você porque as pessoas são diferentes. Eu não tenho esse direito. A sua vida seguiu a parte de mim e sei que volta e meia a gente se perguntava: ‘O que foi que aconteceu com a gente?’ ‘Onde foi que eu errei, afinal?’ Hoje eu só queria te dar essas respostas.
Você não errou. Você esperou.
Eu não errei. Eu mudei.
Nossos caminhos se abriram e a gente tomou outros rumos. Hoje eu sou uma pessoa que você não consegue entender, mas que quer manter ao seu lado. Hoje você é uma pessoa que eu sempre consegui entender e que ainda quero, sim, ao meu lado. Mudar não é fácil, muito menos quando não se espera. As pessoas se afastam de você, não te entendem, cobram que você ressuscite seja lá de onde se perdeu. Mas eu mudei e não escolhi isso. Existem coisas que não me interessam mais e outras tantas que me incomodam e isso nada tem a ver com o seu comportamento ou com o de quem quer que seja. Só tem a ver comigo, com o que eu penso e com o que eu acredito. Eu não sei o nome do que aconteceu comigo, nem sei se tem volta, tampouco se ainda existe em mim pedaços daquela menina que você conheceu há 18 anos atrás. Não sei se essa é mais uma crise que eu estou passando e que logo vou acordar e tudo vai voltar a ser como era antes. Não posso pedir pra você entender o que nem eu mesma entendo. Eu só queria que você nunca duvidasse do que eu sinto, porque isso não mudou. Pra mim você sempre vai ser minha irmã que nasceu numa casa que não era a minha, mas que sempre me acolheu como se fosse. Pra mim você sempre vai ser a mesma menina indecisa e volúvel que eu vi crescer e mudar a cada dia e que nunca fiz disso impeditivo pra me afastar. Lembro que no seu cartão de aniversário desse ano eu escrevi que ‘muitas coisas vão e vem na sua vida, mas eu sempre fico’. E a única coisa que eu queria te dizer hoje é que embora muitas coisas venham e vão da minha vida, você sempre fica. E isso eu não quero mudar.
Thursday, September 29, 2005
# Apenas um de sei-lá-quantos #

E como você me falou de sonhos, hoje eu queria te escrever uma carta daqueles tempos em que não havia internet ou e-mails disponíveis a qualquer hora e que a gente tinha que aguardar ansiosamente as cartas trazidas pelas mãos dos simpáticos carteiros, lembra? Quando eu era pequena (não tão pequena) eu procurava pessoas interessadas em fazer amizades nos classificados dos jornais e nas revistas de amenidades. Eu tinha uma amiga em Foz do Iguaçu e outra em algum lugar do Norte que eu não lembro onde e eu achava aquilo o máximo, sabe, eu ficava na espreita esperando o carteiro-amigo passar e me deixar alguma coisa delas. Não sei bem como foi que essa amizade se perdeu, mas sei que dia desses, graças ao orkut, eu encontrei novamente uma delas. Ela estava diferente, lembrou de mim, trocamos uns dois scraps e hoje ela repousa lá, no meu rol de "friends" do orkut. Perdeu a graça, não existe mais assuntos em comum ou qualquer tipo de interesse. Engraçado isso, como existem pessoas que despertam um interesse absurdo na gente por um tempo e depois tudo isso some no ar... É a efemeridade dos sentimentos que muitas vezes me recuso a aceitar.
Mas aqui no meu trabalho a gente usa o Lotus Notes pra receber e enviar e-mails. E eu fico lá, que nem nos meus tempos de criança, apertando o botãozinho vermelho do "replication" pra saber se tem alguma coisa interessante chegando pra mim. Eu não consigo me concentrar puramente no trabalho, sabe? Ou estou mastigando o tempo todo um biscoitinho, um chocolatinho, um cafezinho (eu e meus diminutivos) ou fico batendo papo no chat com uma amiga ou fuçando na internet procurando bobagens pra chorar. Sabe aqueles textos patéticos deprimentes na linha dos que eu escrevo? Então. Desses. Aí nessas horas eu penso que deveria ser uma gorda cheia de dobrinhas, com aquelas linhas mais escuras que a pele demarcando a flacidez acumulada, devorando caixas de chocolate todo final de semana em frente à TV, suspirando por um daqueles galãs de telenovela. Tenho todas as ferramentas, só me falta o tecido adiposo, porque sozinha e mal amada já vi que sou até demais.
Mas segunda foi aniversário da minha mãe e eu dei pra ela uma cadeira de balanço. Atestado de velhice, creio eu. Ela queria, dei muito a contragosto, mas lembrei que estou aqui pra realizar sonhos. Aí a cadeira chegou essa semana e mais parece aquelas cadeiras gigantes de madeira rústica de filmes de terror, sabe? Que balança sozinha e tals? Pois é daquelas! Ontem cheguei em casa e ela tava sentada na cadeira que não combina com nada na sala e nem em lugar nenhum, de frente pra TV, com uma almofada tosca que ela insiste em preservar debaixo dela, oscilando entre cochilar e despertar-offline. Aí eu pensei que minha mãe está mesmo ficando velha e me deu um aperto no peito, sabe? Ela parecia aquelas velhas senhoras de fazenda, se balançando na varanda, com um cachimbo pendurado no canto da boca! Sei lá porquê, mas naquele minuto eu tive medo de ficar sozinha daqui a uns tempos, quando ela me deixar. Porque ela é tudo que posso chamar de meu. Porque meu pai e eu, embora sejamos completamente apaixonados um pelo outro, vivemos nos estranhando que nem cachorro quando quer briga. Ele fala uma coisa e eu implico, eu digo outra e ele inflama. Parece até que a gente vive competindo. A gente é tão parecido que bate de frente. Ele tem tudo que eu odeio e que faço de conta não ter também. Todos os defeitos dele estão em mim e quando percebo isso vejo o quanto somos iguais. Existem mais coisas dele em mim do que eu posso imaginar, como diria minha sábia mãe.
É, hoje eu acordei carente com vontade de receber uma ligação inesperada de alguém que me ama. Uma desejo louco de ficar agarradinha com alguém até doer. Deixar de lado, pelo menos um pouquinho, a minha síndrome de menina-‘gorda-magra’-mal-amada e me sentir importante. (...)
Ó, faz um favor? Esquece tudo que eu escrevi aí. Devo estar de TPM.
Monday, September 26, 2005
# Tudo sobre a minha mãe #

Ela sempre foi uma morena de parar o trânsito. A mais bonita da Moreira Reis e a mais disputada do coração dos meninos. O motivo dos pescoços virados e das olhadelas compridas em sua direção. O tempo passou, é verdade, mas sua graça continua presente seja na elegância do andar, nos cabelos sempre bem cuidados ou no seu talento pra restaurar o que quer que passe pelas suas mãos. Preparem-se, porque hoje eu vim falar da minha mãe, a culpada de tudo.
Falando em restaurar, ela é daqueles tipos de pessoas que tem dificuldade pra abrir mão de certas coisas, sabe? Pra ela, jogar fora é problema, nada está completamente imprestável, tudo tem sua utilidade, seja os copos de requeijão ou as caixinhas de todos os tamanhos. Todas guardadas cuidadosamente para serem usadas sabe-se-lá-quando.
Ela tem um vocabulário só dela. Fala umas coisas que ninguém nunca ouviu e que a gente aprendeu com o passar dos anos e acaba repetindo por aí. Ela é daquelas pessoas expressivas, ‘intepletíveis’, como ela mesma diria, gesticula na mesma proporção que fala, faz a sonoplastia e a interpretação dos fatos. Com ela não tem essa de falta de assunto, ela sempre sabe como quebrar o gelo ou desamarrar nosso costumeiro mau-humor matinal.
Ela é dedicada. Abriu mão da própria vida em nome das filhas que passaram a ser a sua vida. Lambe as crias toda manhã parada no portão, esticando o olhar o máximo que pode até ter certeza de que não há perigo. Detentora de uma fé inabalável, ela reza fervorosa em frente ao rádio todos os dias. E como mulher altruísta que é, pede pelo pai e pela mãe que já se foi, pela saúde das irmãs, do marido e das filhas e embora eu não ouça suas orações, duvido que peça por ela mesma. Ela tem esse terrível costume de se colocar à parte de sua própria vida em função do bem estar das outras pessoas. Não é à toa que ela me enche de lágrimas nos olhos quando eu acordo cedinho e dou de cara com meu almoço prontinho, preparado com todo o cuidado muito antes de eu acordar.
Ela é forte, mas ao mesmo tempo tem sua doçura. Não vive de beijinhos e abraços com todo mundo, mas carrega no coração mais amor do que pode suportar. Aliás, suportar, é com ela mesma. Poucas vezes a vi chorar e sempre foram por motivos extremos, nunca por bobagens. Ela sempre tem bons conselhos na manga pra todo mundo embora nem sempre os use para si. Talvez porque ela tenha muito pouco tempo para se preocupar consigo, com sua saúde, com o seu bem estar e todo o tempo do mundo pra cuidar da casa, da roupa, dos serviços domésticos que são seu único vício.
Minha mãe é assim, linda, única e surpreendente. Tem um coração do tamanho do mundo e ama todo mundo igual, embora às vezes eu brigue com ela pedindo atenção nas minhas crises de carência. E eu que sou meio difícil de lidar, muitas vezes sufoco um abraço de carinho com medo de demonstrar o que realmente sinto. Eu poderia escrever aqui páginas e páginas sobre ela, mas hoje, nesse dia que sempre vai ser muito especial, eu só queria que ela soubesse que embora eu nunca diga e pouco demonstre, ela é a mulher mais fascinante que eu já conheci e na qual eu me vejo daqui a alguns anos. Porque muita coisa vem e vai, mas ela sempre vai ser tudo que eu amo de verdade e que realmente sei que posso realmente chamar de meu.
Feliz aniversário.
Tuesday, September 20, 2005
O anjo e o demônio vão ao Shopping

E mais uma vez estava eu ali, falando dos problemas da vida, comendo uma coisa qualquer e ouvindo aquele homem falando de detalhes grandes demais pra esquecer. Era eu ali, sentindo meu corpo pesar por olhos que me observavam sabe-se lá de onde, querendo presença onde só havia solidão. Era eu e minha temível sensação de não poder comigo mesma, de querer ser mais que uma quando tudo pedia por singularidade.
Lembro que olhei bem pra ele na tentativa de encontrar algum pedaço de verdade, mas estava tudo igual, inalterado, exatamente como no dia em que virei as costas e o deixei pra trás. O mesmo olhar de quem acha que sabe o que quer, o mesmo jeito de pentear os cabelos, o mesmo andar despreocupado com a vida. Era ele exatamente como é. E como sempre será.
Lembro que olhei bem pra ela e mal a reconheci. Não mais os cabelos de menina boa e a carinha de ingênua sofredora. Aos meus olhos era outra, mas escondido atrás dos seus cabelos agora forçadamente lisos e pretos vi uma pontinha da pobre anjinha tão enganada quanto eu fui um dia. Confesso que senti um misto de pena, inveja, sei lá. Uma sensação difícil de explicar. Algo como uma mala que você solta numa esquina qualquer da vida e depois dá de cara com ela sem saber como. É, era isso.
Lembro que olhei bem pra mim, parada, diante do espelho, e apesar de todo o vácuo que eu sentia ao meu redor, apesar de todo o peso de ser pouco diante do tudo que o mundo nos obriga a ser, eu me senti muito. Me olhei cuidadosamente tentando entender o que havia em mim de tão diferente que jamais pôde ser esquecido, mas que foi simplesmente trocado por algo mais fácil. E naquela luz amarela de um banheiro que não era o meu, eu tive a certeza de que o problema, se é que havia algum, comigo é que não estava. Eu era mais que ela, tava na cara, tava no jeito de olhar, tava na leveza de simplesmente ser. Ela carrega nos ombros o peso de dividir mais que somar, de esticar nos cabelos o que sua alma não conseguiu por si só. Eu ando leve, com a certeza de que nada daquilo tinha o gosto que eu imaginava ter. Ela continua mergulhada no mesmo desejo travestido de realidade.
O problema agora é dela. E só dela.
Friday, September 16, 2005
"Tudo acaba aqui, quantas e quantas vezes eu já disse isso nesse meu e só meu bloco de notas, quantas vezes mais eu vou ter que repetir essa frase que me atordoa, que me deixa tão frágil?
Adeus.
Eu vou te olhar mais uma vez só pra ter certeza da minha decisão, eu vou te beijar só mais uma vez pra ter certeza que desse gosto eu não quero mais lembrar, eu vou te abraçar só mais uma vez pra me convencer que desse calor eu não preciso mais.
Só que o pior está por vir.
Quando eu te olhar pela última vez vou dizer pra mim mesma que eu quero te ver todos os dias da minha vida, e quando eu te beijar pela última vez vou estar apenas mostrando a mim mesma que esse gosto é o meu prato predileto, e quando eu te abraçar pela última vez eu só vou estar me certificando que são nesses braços que eu passaria minha vida toda ou morreria." (...)

By Tahtah
Tuesday, September 06, 2005
Ao Vivo e Em Cores

Você não está aqui. Você não assistiu comigo à última estréia do cinema e nem me levou pra conhecer aquela pizzaria nova. Você nunca viu meus pais, sentou no meu sofá, conheceu minhas amigas. Você não teve tempo de afagar minha gata ou opinar na nova cor do meu cabelo. Você não me escreve cartas de amor, me dá ursos de pelúcia ou se despede com um beijo de boa noite antes de ir pra casa. Você nunca me perguntou se eu queria porque eu sempre atropelei as coisas e engoli o sim muito antes da pergunta sair.
Eu estou aqui. Com uma música, um cheiro, um álbum de fotografias, um punhado de palavras soltas que pouco querem dizer e alguma poucas declarações ditas sem perceber. Eu estou aqui, com uma proposta para dividir o mesmo teto, um convite para largar a vida e viver um sonho e esse mesmo sonho se materializando no meu pensamento a cada segundo. Continuo aqui, sentada torta na minha cama, escrevendo de madrugada pra espantar o sono quando na verdade eu bem sei que mal consigo dormir nessas longas noites de inquietação.
É difícil estar sozinha agora quando se quer tanta coisa. Difícil mandar a solidão sair pela janela enquanto tudo queima pedindo presença. Difícil abafar a falta com o travesseiro na boca enquanto a maldita sinceridade escorre dos olhos me tirando o controle das mãos.E eu, que deixei de ser eu naquele dia em que você me pegou pela mão e me chamou pra ser nós, me calo diante da certeza do que virá. Sei que pode ser pouco, sei que pode ser muito, sei que muito me fará rir e tão mais me fará chorar. Eu não preciso de uma data pra comemorar, um anel pra exibir ou um simples alguém pra me tirar das estatísticas das descompromissadas. Eu só preciso de presença, de um abraço que me faça esquecer da vida e de um beijo que me faça lembrar dela. Eu só preciso de você, seja amigo, amante, namorado, ou o que for, mas que, como ninguém, me trouxe a sensação de estar completa.
Só mais um texto perdido no meu arquivo, aguardando o momento certo de ser postado. O momento passou, mas o texto ficou. Só o texto.
Tuesday, August 30, 2005
Esse blog nunca posou de ‘meu querido diário' e quem o acompanha sabe bem disso. Sempre adotei os subjetivismos pra dizer o que eu sentia imprensado nas entrelinhas. Mas hoje eu queria falar, sem tantos rodeios, o quanto estou me sentindo bem. Existe um ditado que fala que depois da tempestade sempre vem a calmaria e eu acreditei e esperei inconscientemente por isso. E não é que eu estava certa em esperar?? Quase três semanas depois da demolição das minhas colunas de sustentação, cá estou eu, mais forte e mais segura do que se podem imaginar. Talvez porque eu tenha enxergado, enfim, que minha base está além de uma figura que eu escolhi pra amar e pensar de vez em quando. Porque eu ainda penso, é claro, mas a cruel fase de abstinência já passou. Aquela coisa de acordar no meio da noite suando frio, de flagrar uma folha caindo de uma árvore e lembrar da criatura, de chorar até com música de comercial de cerveja... Passou. É claro que as lembranças ainda vão ficar por um bom tempo circulando por aqui, mas já consigo espantá-las com a ponta do lençol pra elas não me assustarem mais.
Estou de volta. E dessa vez quero ver quem vai me derrubar.
Friday, August 26, 2005
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos; seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Encerrando um Ciclo - Paulo Coelho
Monday, August 22, 2005
Acabou como acaba um livro, um disco, o sono.
Acabou como acaba um sonho, no meio, partido, antes do fim.
Acabou como uma viagem, uma passagem com volta marcada, um conto de fadas.
Acabou como acabam as histórias perfeitas, juradas inacabáveis, mas sempre com brecha pro pré-disposto fim.
Acabou como acaba uma música no rádio, sem repeat, sem replay, sem saber se e quando.
Acabou como acaba uma tempestade, quando menos se espera, deixando aquele rastro de destruição em toda a parte.
Acabou como acaba o tempo no melhor da conversa, a hora marcada, a surpresa antecipada, a disputa em morte súbita.
Acabou como acaba uma torta recheada, uma comédia engraçada, uma risada escancarada, uma lágrima forçada.
Acabou como acaba um filme na sessão da tarde, sem gosto, sem rosto, sem chance de melhor final.
Acabou como toda felicidade de recém-casados, o perfume importado, o intervalo pro café.
Acabou como o esmalte no fim da semana, o dinheiro pro tão esperado show, o choro no meio do abraço.
Acabou como acaba um jogo de tabuleiro, as férias de final de ano, o crédito no meio daquela ligação.
Acabou como acaba a fome quando a comida é pouca, o assunto quando a presença é boa, o sentido quando ainda se quer tanto.
Acabou como um dia pra nascer a noite e logo depois o dia novamente num círculo sem fim.
Acabou como tudo acaba.
Acabou porque nada é para sempre. Nem a vida, nem a morte, nem as lembranças ou os sentimentos.
Acabou.
E a dor também há de acabar.
Wednesday, August 17, 2005
Eu tenho tanta dor.
Tentei lembrar do seu rosto agora e não consegui. Tentei sentir o seu gosto na minha boca, mas ele já se foi há muito tempo. E aí eu lembrei que você era pequeno demais pra mim no dia em que eu fui embora que eu não consegui te ver. Soltei um beijo pro nada porque nem sei se você podia me enxergar.
O aeroporto vazio sem sorrisos ou abraços à minha espera congelou os meus olhos e eu mal senti o caminhar das minhas pernas. Estava frio, você estava tão perto e eu ainda dentro do meu sonho de olhos bem abertos engolindo cada pedaço de luz que me cruzava o caminho. Por um momento tive medo e desejei não estar ali, mas não dava pra fugir, então respirei um litro de coragem quando pisei naquele lugar que pra mim era mais que qualquer lugar, era o meu lugar.
Seu silêncio perturbou meu sono. Senti seus olhos sobre mim me espreitando onde quer que eu fosse, mas amanheceu e na janela do 11º andar eu só conseguia ver a neblina forte encobrindo o que eu não queria enxergar. Deixei minha menina no fundo da mala e saí vestida de mulher, esperando inconscientemente você decidir a maldita decisão que era só minha. E foi aí que eu errei.
Você, mais uma vez, fugiu de ser adulto. Tapou os ouvidos e saiu correndo de olhos fechados com medo da minha presença. Se escondeu debaixo da cama e deixou escapar um "in love" no dia seguinte e hoje pouco me importa saber se aquilo era uma confissão ou apenas uma nova realidade.
Você disse não.
Você fechou a janela e apagou meus vestígios. Você esfregou a borracha no meu rosto como se eu fosse feita de lápis e eu juro que não sei se você conseguiu me apagar. Nem sei se hoje me importa mais saber isso.
E eu? Bem, eu abafei uma lágrima, olhei pro céu e tentei me esconder. Perdi o chão. Lembro que sentei na cama e esfreguei os olhos tentando acordar daquele pesadelo, mas aquele cenário não me deixava esquecer que eu não estava sonhando. Tentei chorar, mas Deus me segurou pela garganta me lembrando que eu tinha platéia. Ah, como eu quis estar longe dali naquele minuto. Como eu quis te ligar e dizer tudo que me embrulhava o estômago. Mas não, eu não podia. Agora posso.
O tempo era frio e traiçoeiro, dilacerava meu peito até mais do que eu imaginei que ele pudesse ficar. Me despedi do nada e não consegui olhar pra trás. A tempestade veio e eu me fiz pequena naquela sala de espera que não cabia dentro de mim; eu só queria poder ser fraca longe dos olhos que tanto já me traíram. Ali eu me fiz criança diante dos olhares preocupados de quem nem imaginava o que eu estava tendo que suportar sozinha. Eu quis abraçar alguém, mas eu estava tão sozinha e só aí notei que não, ali não era o meu lugar. E aí eu pude ser eu mesma. Eu triste, eu fraca, eu pequena, eu sozinha, eu infeliz. Mais que nunca, infeliz.
Esquecer um ano e meio de tanta coisa boa que passou é mais fácil que amargar sua indiferença. Apagar suas fotos, suas palavras, seu cheiro e tudo de bom que vivi com você era a última coisa que eu esperava ter que fazer algum dia. Me desfazer de um pedaço de mim que ficou perdido por lá, só me traz a certeza de que as histórias sempre acabam e essa coisa de final feliz é pros contos de fada. E eu estou longe de ser a princesinha encantada dessas estórias.

JJ3574 - SP/Recife, 13/08/2005, 18:30h.
Monday, August 15, 2005

Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível e depois enxergar
Que é uma pena, mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor

Não cabe como rima de um poema de tão pequeno
Mas vai e vem e envenena e me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado
O velho texto batido dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos e o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida
E é pra não ter recaída que não me deixo esquecer

Que é uma pena, mas você não vale a pena.

Maria Rita

Monday, August 08, 2005
"Quem tem medo de parecer idiota, não merece se apaixonar."

Tuesday, August 02, 2005
Sobre claros, escuros e as dores do mundo.

O dia me faz calma. O sol que se espreme pela fresta da cortina improvisada acalma minha taquicardia que tem sido constante. Aqui, nesse metro quadrado que acho que posso chamar de meu, ouço as vozes confusas do meu coração que dança no meu corpo enquanto tento me manter inerte. Autocontrole. Essa maldita palavrinha composta foge de mim como o próprio diabo fugindo da cruz. Esconde-se sei-lá-onde e eu até já desisti de encontrá-la, afinal, ela sempre volta pra casa quando o tempo se encarrega da faxina pesada no terreno da alma. O dia me permite enxergar, mas tem horas que eu queria mesmo não ver nada. Meus dedos compridos, desajeitados, segurando a caneta deselegantemente como muitos já me disseram. Meu corpo esguio, fino, flácido, assimétrico, expondo friamente minhas veias estufadas de sangue vivo que ainda me corre por aqui. Gosto do que vejo, mas como ser humano insatisfeito que sou, confesso que um pouco mais de simetria e volume não me faria mal.
A noite dói. Machuca como agulha fina na pele quando vai surgindo estúpida no horizonte. Tenho que ir pra casa, corro pra casa porque lá estou segura dos perigos do mundo. Eu tenho meu próprio céu estrelado, sabia? Olhando pra ele e apenas pra ele eu me sinto tão livre que posso contar todas as estrelas sem medo que me surjam verrugas nas pontas dos dedos. Porque aqui, nesse metro quadrado que me parece tão mais quando as luzes se apagam, eu vejo quem verdadeiramente sou. Meus defeitos são manchas negras no meio do nada. Meu coração corre pra ponta da garganta e me move. No escuro eu sou mais eu. Meus olhos não ardem, minha boca não seca, a verdade é minha e somente minha e todas as mentiras ficam do lado de fora, me espreitando pela janela.
Aqui eu posso plugar meus fones e fazer o mundo parar. Aqui eu posso ser frágil se quiser, posso chorar fundo enquanto olho minhas estrelas de plástico e converso com Deus sobre minha vida de plástico. Aqui eu me aconchego comigo mesma e sinto paz no calor do meu abraço. Meus pés não ficam frios e quando ficam eu sei bem o que fazer para aquecê-los e isso eu não vou contar. Aqui minhas fábulas fazem sentido, minha gata salta e se acomoda quentinha na minha barriga. Ela ainda está aqui, sabia? dividindo espaço com todas as pelúcias presenteadas por quem já me amou pelo menos um pouquinho na vida. Aqui eu posso ser forte e me garantir por mim mesma, mandar o mundo escorrer pelo ralo e rir um riso sarcástico de criança que andou aprontando escondida por aí. Aqui meus cinco minutos de loucura não têm fim e eu posso fazer o que quiser porque o tranqüilo dia lava tudo na manhã seguinte. Todas as palavras ditas pras minhas amigas paredes que nunca cansam de me ouvir, outras tantas silenciadas pulando impacientes dentro da minha cabeça, todos os risos loucos, as lágrimas forçadas e também as inesperadas, os gritos amargos, as músicas cantando minha vida sem pedir licença, minha solidão, minha repreensão, minha culpa sim, e claro, ela, a dor, a dona de tudo e de todos.
Todas as dores do mundo se passam aqui, nesse metro quadrado que nem sei se posso chamar de meu porque nada aqui é meu mesmo. Eu tomo emprestado e pago caro por isso, pago o peso das dores do mundo sobre meus ombros, sobre minhas pernas, me apertando fundo que mal posso me mexer. Mas quem disse que eu quero me mexer? Eu acho que gosto mesmo da dor, a gente brinca de esconder, mas sempre acaba se achando. Não dá pra fugir porque ela é o desfecho de tudo que hoje soa como bom, eu sei, eu sei, o escuro me fez enxergar isso. Eu larguei minhas armas, soltei meus leões, esvaziei meus bolsos e joguei a toalha. Nunca mais lutar contra ela. A dor. Eu disse nunca mais. Deixa doer. Porque eu não quero saber de passar.
Friday, July 29, 2005
Como álcool, nicotina ou coisa pior.

Eram as letras pretas que me interessavam. Todas as palavras, corrigidas cuidadosamente antes de imprimir, devido o seu fraco português. Eram os caracteres em caixa alta, negritados propositalmente para saltarem aos meus olhos. Eram as promessas, as declarações, as confissões tímidas de alguém que dizia querer tanto, no momento em que eu ameaçava saltar do avião em pleno vôo.
As lembranças. Todas elas.
Os toques que ainda posso sentir se apertar bem os olhos, o beijo pouco encaixado ou asfixiante, de acordo com o momento. O silêncio quando eu queria ouvir, as palavras atropeladas quando eu precisava falar, seu olhar fixo pesando sobre mim como lençol encorpado dos tempos de inverno.
Acho que o que mais dói é o terrível e lento processo de arrancar essas malditas lembranças de dentro da alma. Livrar-se do vício. Porque a paixão é um vício como outro qualquer. A natureza humana despejou sobre nós, fêmeas, o bálsamo da carência e um leve toque tem o poder fulminante de ativar o botãozinho do nosso coração, falsamente disfarçado de amor.
(...)
Eles são práticos, precisos, descomplicados. Nós vemos um vestido de noiva refletido nos olhos dele em qualquer palavrinha menos corriqueira.
A gente quer tudo, todo, logo. Eles querem um pouco, agora, sem muitos depois.
Nós somos amanhã. Eles, hoje.
A sintonia nunca é perfeita, embora a gente insista em acreditar que é.
Mas sabe o que é que dói mesmo? É a dúvida. As cargas de incertezas que saltam dos nossos lábios quando tudo aquilo que era dividido se transforma em algo só seu. É a indiferença alheia depois da sentença final. Da nossa sentença final.
Acho que hoje eu só precisava de uma mentira qualquer, uma daquelas que sempre me soou como verdade absoluta. Porque deixar pra trás tudo que vivi dói demais e eu sempre acho que não vou conseguir sozinha. É muito. Sou eu confeitada de você. Descascar os pedaços grudados friamente na minha pele fere minha auto-estima, minha racionalidade, meu equilíbrio. E eu, que tinha feito daquele meu último primeiro beijo, me vejo precisando urgentemente me reinventar. Não sei mais quem sou, o que quero hoje, o que espero do amanhã, embora uma onda de esperança continue a me assolar. Um erro girar em torno de você. Apenas mais um erro de uma história que tinha tudo pra dar errado, mas que eu tapei os ouvidos pra ouvir minha verdade de que podia, sim, dar certo. Você, o astro-rei. Eu, mais um planetinha precisando como água da sua luz.
Como fui boba, né? Mas a gente é sempre um pouco-muito boba quando se deixa apaixonar mais uma vez. Até eu, a inabalável-segura-bem-resolvida-mulher que dizia saber distinguir o que é do que não é.
Aqui, hoje, sentada desconfortavelmente nessa cama que você nunca quis que também fosse sua, me sinto como mais uma que cruzou seu caminho, porque o destino se encarregou de repetir os nomes, mas nunca as histórias.
Monday, July 25, 2005
# JJ 3866 #

Nunca tive tanto medo da solidão. Nunca me senti tão só e infeliz como agora. Nunca chorei tanto como tenho feito e me senti tão idiota como tenho me sentido. Me reconheço entre as mulheres que amam demais e não sabem a hora de parar, simplesmente vão, vão, vão, enquanto vocês se incomodam com nossas declarações gritadas aos quatro ventos.
Eu não amo você e sempre soube disso. Você não me ama e isso não é novo pra mim. Talvez a forma como eu tenha 'acordado' pra isso é o que tenha me chocado. A gente poderia ter simplesmente se afastado, simplesmente seguido nossos rumos, mas não, eu tinha que ir lá e meter as caras onde não me interessava, mas que sim, me interessava até demais. Eu pensei que agüentava o tranco, mas eu não agüento. Eu pensei que seguraria a onda, mas ela me cobriu e eu estou enfiada lá no fundo da areia e nem tenho mais forças pra sair. Mas eu quero sair, sabe? Só que eu preciso que você venha me jogar mais areia ou me puxar pelo braço. Eu preciso que você venha me dizer onde é o meu lugar, porque eu já não sei mais. Eu preciso que você me diga qual o meu nome agora porque ser quem eu sou me confunde mais do que eu poderia imaginar.
Eu gosto de tudo que você odeia. Você gosta de tudo que eu suporto por você. Eu bati o pé e disse que não queria assim. Você não conseguiu me encarar e disse que aquilo não iria terminar ali. Eu menti. Você mentiu. Hoje a distância e o tempo que ainda foi pouco derrubou nossas máscaras e eu estou aqui, fragilizada até onde se possa arregaçar, enquanto você tocou o foda-se pro que tiver que ser. Eu joguei a toalha. Você a chutou pra longe. E se hoje dói tanto é porque tudo que vivi é bem maior do que eu poderia suportar, simplesmente porque eu fechei os olhos e deixei você entrar todo na minha vida enquanto eu nem sabia se você realmente queria isso. Não, você não queria isso.
E eu, que sempre acreditei que todas as histórias de amor pra serem histórias de amor tinham que ter um final triste, rezei pra que comigo acontecesse o contrário. Foi assim com Romeu e Julieta, com os romances hollywoodianos, com Drummond e Machado de Assis. Pra doer e fazer sentido têm que ter lágrimas nos olhos, aperto no peito, fastio e insônia. Eu vivi tudo até o final, mesmo sem querer que esse final chegasse. Mas eu pedi pra Deus me mostrar um sinal e ele me veio com três cartas coloridas, cheias de um amor adolescente, disposto a matar e morrer pra conseguir algo em troca. E eu? Bem, eu fiquei ali, mais frágil que um cachorro que se perdeu do caminho de casa, mais apaixonada do que se podia supor, mais destruída do que já me permiti estar. Mas eu tô aqui. Ainda respiro, embora não haja muita vontade pra isso. De cara pro vento que insiste em bater apagando a chama do sol que queima minha vida, me mostrando que não, eu não vou morrer por causa disso. E hoje quase como um mantra, eu me repito isso pra não esquecer.
Eu não vou morrer por causa disso.
Eu não vou morrer por causa disso.
Eu não vou morrer por causa de você.
Eu não vou morrer por causa de você.
Wednesday, July 20, 2005
Aos amigos quase irmãos, aos conhecidos, aos nunca vistos, aos coloridos, aos que poderiam ser mais que amigos, aos que já são mais que amigos.
Aos amigos que passaram pela minha vida por um dia, por um final de semana, por um mês, por um ano e aos que me acompanham desde que me entendo por gente.
Aos amigos do trabalho, das buscas de internet, dos bate-papos, dos blogs, da escola, da faculdade, da rua, do acaso, da vida.
Aos amigos de perto, de muito perto, mas também aos de longe, aos quase-nunca vistos, e também aos nunca vistos.
Aos amigos de ontem, de hoje e aos que sei continuarão por aqui amanhã.
Aos amigos que muito já me viram rir, mas principalmente àqueles que me viram chorar, aos que me ligam uma vez no mês pra saber se tá tudo bem e aos que seguram minhas pontas todo dia quando algo me tira do eixo.
Aos amigos que não sabem o que é esquecer e também àqueles que vão se perguntar quem é essa Vanessa que me mandou esse e-mail agora.
À todos.
Um feliz dia do amigo.
Beijo.
Monday, July 18, 2005
(...) O tempo, é que faz de conta que está passando.

(alguns dias estas lembranças parecem ter ficado para trás)
(mas estão sempre lá, espreitando)
(ferindo, fazendo com que eu te deseje e nunca pare)
(eu não posso acreditar, alimentar esperanças)
(você torna pior, aparecendo de mil formas)
(a sensação de não ter nada)
(posso ouvir mesmo agora, se fechar meus olhos)
(o medo de jamais sentir de novo)

É como se ninguém no mundo pudesse te querer como eu.
Como se ninguém no mundo pudesse ser como você.

Gil Brandão
Tuesday, July 12, 2005

# Does he ever get the girl? #
Eu lembro que olhei pro céu e você estava no meio do caminho. Eu prestei bem atenção em cada detalhe do seu rosto, enquanto você me dava colo, fechei os olhos e me perguntei se tinha como eu ser mais feliz. Você estava todo ali, comigo. Você apertava minha mão de um jeito só seu e eu nunca me senti tão segura. Você se movimentava dentro de mim de maneira desconcertante e nunca me senti tão sua. Você parava no meio do nada e ficava olhando calmamente pro meu rosto com medo de que ele caísse no esquecimento quando eu não mais estivesse ali. Você segurava minha perna e apertava minha cintura e perturbava meus sentidos, enquanto eu me rendia aos seus toques e me deixava levar pelas nossas sempre tão curtas horas de prazeres sem limites.
Aí você me beijou e me colocou pra dormir, eu virei pro lado contrário e ri um riso certo de que era exatamente aquilo que eu queria pra mim, seja hoje ou amanhã, mas que era aquilo.
Era você.
Era você vestido com suas calças folgadas ou como quem vai casar se preparando pro trabalho. Era você de barba de dois dias arranhando minha pele ou de rosto limpo me beijando antes de ir trabalhar. Era você, chegando tranqüilo e me dizendo sem dizer que estava feliz por me ver ali, na sua cama, na sua vida. Era você ouvindo seu som perturbador, batucando no volante o tempo inteiro, dobrando suas roupas cuidadosamente pra colocá-las de volta no armário. Era você repetindo o feijão irado da sua tia, tomando seu suco de limão à la Mc, me suspendendo pelas costas num golpe inacabado, me trazendo a nítida impressão de que sim, a gente era um só. Era você, compartilhando sua vida comigo, independente do fato de eu estar a poucos dias de ir embora e voltar a ser dúvida, abandonando toda aquela certeza de eternidade concedida pelo momento.
Confesso, nunca fui tão feliz. Nunca encontrei alguém que me desse a idéia de estar completa. Nunca conheci ninguém que me fizesse ter vontade de jogar tudo pro alto só pra ter o mínimo de proximidade possível entre duas pessoas. E eu que já conheci tanta gente e já vivi tanta coisa, naquele minuto que antecede a certeza do que se é com a dúvida do que se pode ser, me senti mais frágil que uma criança que soltou das mãos da mãe no momento da travessia. E deixei você me ver chorar, no momento em que eu senti que minha história perfeita de amor estava chegando ao final.
Minha história perfeita de amor acabou.
Acabou naquele beijo que você determinou que fosse o último, embora suas palavras me dissessem o contrário. Acabou no lacrimejar dos seus olhos e nas minhas lágrimas derramadas sem controle quando eu senti você fugindo das minhas mãos. Acabou naqueles cinco minutos de dúvida em que minhas respostas estavam ali nas minhas mãos e eu mal sabia se queria finalmente tê-las. Acabou no seu visível descontrole quando eu te fiz uma pergunta tão simples, na sua vontade de gritar comigo porque eu tinha ido além do que você tinha me permitido, no alisar de mãos pedindo pra não me chatear com você. A palavra não é chateação, é decepção. Minha história, que você fez questão de dizer que também era sua, acabou naquela promessa de que você nunca faria nada pra me magoar. Acabou e hoje dói porque eu nem posso te pegar pelos ombros e te sacolejar e pedir pra você não me esquecer. Eu sei que você ainda não me esqueceu, porque deixar pra trás é fácil, difícil é tirar da cabeça algo que importou realmente pra gente num dado momento da nossa vida.
Você me mandou embora. Eu entendi o recado.
Você me deixou escapar em cada e-mail não respondido, em cada chamada interrompida, em cada ausência que machuca mais do que a distância implacável. E eu, bem, eu ainda estou aqui. Ainda meio sem entender tanta coisa, ainda tentando me levantar da queda que você não conseguiu evitar. Eu ainda estou me dando o direito de chorar, de sofrer, de dormir abraçada com o que me resta de você, de enjoar de ansiedade no meio do jantar, de identificar minha história com qualquer outra parecida.
Eu estou aqui, no mesmo lugar e da mesma forma, querendo ainda muito e mais que nunca, meio sem saber como e nem pra quê. Porque eu aprendi que posso ter você aqui se fechar os olhos bem forte quando sentir falta. Porque eu percebi que posso te ver recostado no seu carro no meio da escuridão, com aquela cortina de estrelas sob nossas cabeças, dizendo “I'll die in here just to be safe.”
E aí eu fico bem. E tudo fica bem.