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I can touch the sky...

Monday, October 17, 2005
A Última

Dia desses, vindo pro trabalho, escutei Maurício Manieri no som e foi inevitável não lembrar de você. Sorri lembrando da sua assustadora revelação que causou pelo menos uns bons minutos de risadas. Senti saudades, confesso. Saudades desse pouco mais de um ano em que nos falávamos todos os dias, das nossas risadas intermináveis, das novidades do fim de semana e até mesmo das suas ligações rapidinhas só pra me contar o novo apelido de alguma pessoa em comum. Lembrei dos planos de feriado prolongado, das longas conversas pelo chat, das ligações fora de hora ‘só pra saber se estava tudo bem’. E aí eu lembrei da sua fraqueza com vinhos e afins, do ronco negado no dia seguinte, de como eu me sentia segura quando tinha você por perto. Lembrei das longas horas de carro pra me satisfazer uma vontade, das paradas pelo caminho, da noite estrelada, do seu cansaço. Lembrei das nossas confusões, da nossa cumplicidade, das similaridades e também das divergências. Lembrei da sua mania de acenar para desconhecidos na estrada, da sua cara abusada quando o som era o meu, da sua mão pesando sobre a minha perna quase full time. Lembrei da goiabinha com coca-cola, do Milk and Mellow, do Ibirapuera, do Jardim Botânico. Lembrei de você na porta do hotel me suspendendo pelas costas num golpe inacabado, me trazendo a nítida impressão de que sim, a gente era um só. Lembrei do meu anel que ficou por aí, do seu gorro que ficou por aqui, de um álbum de fotos em comum, de muitas horas longe e algumas poucas perto. Lembrei de algumas surpresas, decepções e de uma mágoa. Mas dessa eu já fiz questão de esquecer.
Você é um cara que se precisa desvendar a cada dia. Descobrir o que você realmente esconde por trás das suas gírias atropeladas e do seu jeito moleque de ser, não é tarefa fácil. Essa sua sede de fazer tudo que quer, conhecer todas as pessoas, comer todas as coisas boas, surfar todas as ondas, tocar todas as músicas, viver todos os minutos como se fossem os últimos, fazem de você um cara único. Com você eu aprendi o sentido da palavra intensidade. Você e seu eterno bom humor, sua penca de amigos, seu ânimo pra topar qualquer loucura a qualquer hora. Você e suas tiradas surpreendentes, seu raciocínio rápido, sua capacidade de desconcertar qualquer pessoa se realmente quiser fazê-lo. Você e sua atenção com quem te interessa, sua ironia com quem te irrita, sua indiferença com quem não te importa. Você e seu açaí no fim do domingo, seu quik de manhã, seu cachorro-quente com purê a qualquer hora. Você e seu culto ao corpo, seu pouco caso com a saúde, sua persuasão pra convencer qualquer pessoa de qualquer coisa. Você e o feijão irado da sua tia, sua mania de suco de limão, seu sabonete de limão demarcando seu cheiro onde quer que eu vá. Você e sua teimosia, seu orgulho, seu radicalismo, sua tendência a deixar as coisas se resolverem por si sós, seus sempre adiados planos pro futuro. Você e seu presente olhando pra frente, nunca pra trás, como você mesmo já me disse. Você e seu som perturbador, seu batuque no volante, sua vaidade escondida a sete chaves, seu skate de madrugada numa ladeira qualquer, seus olhos de bom menino a espera do que virá. Você e tudo de bom que ainda tem pela frente, se depender da minha torcida e de mais meia dúzia de fãs que você deve ter espalhadas por aí.
E como eu sei que cartas não mudam nada, não estou aqui com a intenção de alterar o que quer que seja. Porque embora as surpresas da vida tenham nos afastado e hoje sejamos apenas ‘bons amigos de conversas monossílabas’, acho que ainda tenho a liberdade de te desejar tudo de bom que a vida possa oferecer. E que a Terra do Nunca seja o limite, porque eu descobri no meio desse monte de coisas que você, no fundo no fundo, esconde por trás dessa cara de mau e dos músculos cuidadosamente esculpidos, apenas um Peter Pan tentando ser criança pra sempre.
Feliz aniversário.

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